Pensar uma pedagogia para este lugar inter / trans / pós / in-disciplinar é, portanto, buscar a formulação de procedimentos e práticas que possam auxiliar na formação destes artivistas, bem como na proposição de processos criativos performáticos e na produção de conhecimento crítico.
Dentre as direções que atraem a escuta do WAR estão Poéticas Bastardas, Corpolíticas, Artes (Obs)Cênicas, Nonsense e Pós-Sense, Performance Artivista, Composição Urbana, Objetos Indecidíveis, Grouxo-Marxismo e Pornoterrorismo. O Workshop se apoia em referênciais como o trabalho do Yes Lab (laboratório de ativismo criativo desenvolvido pelo duo Yes Men, com base em Nova York), nas oficinas de performance da artista mexicana Jesusa Rodriguez e nas práticas pedagógicas do coletivo La Pocha Nostra (grupo de performance internacional, com base em San Francisco). O próprio conceito de Arte Rebelde, que dá nome ao workshop, é devido à inspiração de Guillermo Gomez-Peña, diretor artístico da Pocha, e seu livro "Exercícios para Artistas Rebeldes", no qual ele propõe um continuum indistinguível entre prática performática, política, existencial e pedagógica.
Esperamos ser confrontados com nossos limites e preconceitos, e dialogar sobre suas origens e validades. A ideia é que formemos uma comunidade criativa de confiança e respeito mútuos. Assim, WAR se converte em um ensaio para o mundo: como negociar identidades políticas, de gênero, de sexualidade, de etnia, de estética, de espiritualidade? O objetivo último é ajudar os/as participantes a se tornarem bons atravessadores/ras de fronteiras em múltiplos territórios, não só no campo da arte. Para isso é preciso criação, reinvenção e ativismo.
A imersão é um espaço temporário de possibilidades utópicas, altamente politizado, anti-autoritário e seguro para experimentação dos/das participantes. Neste contexto, os /as participantes podem empurrar as fronteiras de suas identidades e correr os riscos que julgarem necessários. Durante os encontros, o corpo é vivenciado de maneira política, consciente e performativa. Como afirma Gómez-Peña, “O corpo é um modo de pensamento, e o trabalho intelectual pode ser uma prática criativa”. Este processo inclui desafios pessoais, descobertas artísticas perturbadoras, desencontros culturais e o enfrentamento com fronteiras que podem e que não podem ser cruzadas.